Carolina 3

Carolina era uma moça diferente. Não gostava de novelas nem de fofocas. Falava pouco, achava besteira combinar roupas e não usava maquiagem ou esmalte. Não tinha muitas fotos no Orkut e todos os seus amigos ela conhecera e conversava pela internet.


Todos lhe achavam estranha. Não se engane: ela era bonita, só não seguia as tendências da moda. Não se preocupava com estilo, preferia vestir algo confortável do que algo bonito.

Ninguém da vizinhança imaginava que ela tinha um namorado. Afinal, ela não conversava com ninguém dali. Carolina era uma moça apaixonada e, por causa disso, resolveu tentar mudar.

Todos estranharam e comentaram quando viram Carol sair de casa toda enfeitada. Usava uma combinação de roupas e tentava equilibrar-se sobre um salto de dez centímetros. Nas unhas, um esmalte vermelho vivo, da mesma cor do batom, era notável. A face estava bem maquiada, realçando sua beleza natural. O cabelo estava bem alongado, liso e macio e as pontas foram pintadas de louro. E portava uma bolsa que combinava com as sandálias. Apesar da estranheza visual causada pela novidade, Carolina estava mais bonita do que nunca.

Confiante, acreditava que poderia conquistar o namorado para sempre. Encontram-se num shopping no centro da cidade, como era de costume. Ela o viu a distância e ficou ansiosa pra lhe mostrar a novidade, mas surpreendeu-se quando ele começou a rir. Seu sorriso desvaneceu rapidamente.

– Você está parecendo uma palhaça – ele ainda não continha o riso

– Idiota! – ela respondeu impulsivamente e correu, já com lágrimas nos olhos.

Carolina não acreditou no que acabara de ocorrer. Achou que seu namorado iria se deslumbrar ao vê-la tão produzida, mas obteve o efeito contrário. Seu erro foi ter acreditado que ele gostava dela.

Depois de esperar algum tempo na fila, Carolina entrou no ônibus e sentou-se no assento próximo à janela. Tentava reprimir as lágrimas, às vezes com o dedo, para que seu choro não ficasse visível pelos borrões na maquiagem. Nem reparou na moça que sentara ao seu lado.

– Você não está acostumada com isso, não é? – disse a desconhecida.

– Com o quê? – Carolina tentava esconder o choro.

– Com esse negócio de usar maquiagem e este tipo de roupa. Eu já te vi por aqui. É difícil não reparar, você é bem diferente de todas as outras garotas.

Carolina deu um sorriso leve, só para ser simpática com a moça. Não sabia bem o que responder. Então a outra continuou:

– Você fica bonita assim.

– Obrigado. – Ela ficou envergonhada, mas os cosméticos ajudaram a esconder o rubor da face.

– E ele não viu isso, apenas riu da sua cara, certo?

– Como você sabe disso?

– Eu imaginei. Os homens são assim: é difícil entendê-los, mas não prevê-los.

– É verdade. – Carolina não concordava muito, afinal ela não tinha previsto o que aconteceria.

– Mas você também fica bonita sem essa frescura toda. Quando te vi pela primeira vez, gostei do seu jeito ousado de ser você mesma, eu não teria coragem de fazer isso. Mas agora está igual a todas as outras. Você não deveria mudar isso só para agradar alguém.

– É, você tem razão. Aprendi isso do jeito mais difícil. – Carolina começava a se sentir melhor.

A vizinhança continuava comentando quando ela voltou pra casa. Carolina, decidida, nem se importou com o que diziam. Entrou em casa, tirou as sandálias, trocou de roupa e tirou toda a maquiagem. Decidiu levar a vida do seu jeito. Aprendeu que não valia a pena mudar por causa de alguém – principalmente alguém que não gosta de você realmente.

No dia seguinte, Carolina estava com sempre estivera, exceto por um novo fator: ela iria sair com uma amiga de verdade.

3 thoughts on “Carolina

  1. Reply gilgomex mar 3,2010 21:11

    hum… agora sim. este texto tem a cara que o título do blog parecia querer expressar desde sempre…

  2. Reply Dalleck mar 10,2010 14:01

    Muito bom post, bem escrito. Fez-me lembrar de Natasha e Eduardo e Mônica, hahaha

  3. Reply Carolina jun 8,2010 16:10

    Muito bom o texto “Carolina”, além de passar uma liçãozinha de moral, que nunca devemos mudar por causa do outros…Parabéns.

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