Sobre os problemas do Bullying 2

Um assunto que surgiu relativamente há pouco tempo na mídia (e que perceptivelmente existe já há muito tempo), ganhou espaço rapidamente e se tornou popular, recebendo diversos tipos de críticas – tanto positivas quanto negativas – e que da mesma forma foi esquecido, virando apenas mais um termo para o vocabulário popular. Acredito que vale a pena como assunto a sequência de opiniões que tenho postado neste blog (já deixando claro, mais uma vez, que quase tudo aqui é opinião e especulação).

Definindo o conceito, bullying é uma intimidação contínua feita contra uma pessoa, mais especificamente entre crianças e adolescentes, podendo envolver agressões físicas e/ou verbais sendo executado contra pessoas incapazes de se defender 1. O temo vem do inglês bully, cuja tradução seria valentão. O opressor geralmente se vale de argumentos contra características visíveis do sujeito, como a cor da pele, o modo de se vestir ou a utilização de óculos, além de atributos culturais, como a religião.

Bullying entre crianças

Bullying. [Imagem de Diego Grez, obtida em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Bullying_Irfe.jpg]

Pela minha experiência pessoal, apesar de possuir certas peculiaridades e uma inteligência acima da média (sempre fui um nerd, mesmo antes de conhecer o termo), recebi certa atenção dos valentões, porém nunca sofri esse tipo de agressão – ao menos não com frequência. Ao mesmo tempo, embora muito provavelmente tenha ofendido alguém em algum momento – afinal, crianças e adolescentes fazem isso o tempo todo, especialmente em grupos – nunca senti prazer em oprimir outra pessoa (embora talvez seja culpado pela conivência em alguns casos).

A questão de achar que é “certo” ou “errado” é um ponto que não vale a pena entrar de fato. Nada na vida é preto ou branco, temos que entender o mundo como diversos tons de cinza. Então vamos falar em quais são os problemas e as consequências do bullying, de ambos os pontos de vista.

Para quem sofre de tal abuso, claro que não é nada agradável. Alguém que sofre constantemente de intimidação, muitas vezes por características que sequer é capaz de mudar, provavelmente deve viver em constante ansiedade, imaginando o que pode acontecer em seguida. Além disso, é difícil desenvolver uma autoestima enquanto as pessoas ao seu redor não fazem mais do que depreciar os seus defeitos.

Todavia, considerando a filosofia do Stalone de que o segredo da vitória não é quão forte você pode bater, mas, sim, o quão forte você consegue apanhar, podemos dizer que o bullying, de certa forma, ajuda a preparar o sujeito para as porradas que a vida dá (e com certeza dará). Assim como uma doença que é de fato ruim gera uma imunidade e você não irá mais se preocupar com ela. Se você consegue ignorar, ou até mesmo revidar, a ponto de os outros não se interessarem mais em ter você como vítima.

Do ponto de vista do agressor, à primeira impressão, parece ser um deleite. Ele faz tal coisa porque se diverte com isso. Já faz parte da humanidade rir da desgraça alheia, com isso estamos acostumados (vide as “videocassetadas” que sempre são bem-sucedidas em trazer o riso). Tal ponto também faz sentido em relação aos coniventes que assistem e se entretêm com o sofrimento de seu semelhante.

Por outro lado, talvez o valentão faça isso pela própria falta de autoestima. Valendo-se de diminuir os outros, coloca-se a si mesmo em alto valor, ao menos em relação à sua vítima. E também ganha respeito da comunidade a seu redor, que não ousarão entrar em seu caminho. Talvez pela falta de inteligência ou beleza, zombe de tais qualidades em outras pessoas, com o possível medo que seria ele o oprimido caso não tomasse a dianteira.

Como consequências, embora eu já tenha citado uma possibilidade positiva ao oprimido, é claro que o inverso pode ocorrer. A doença pode vencer a imunidade e piorar. Esse tipo de agressão pode comprometer a autoestima da vítima pelo resto de sua vida e até fazê-lo tomar a decisão de tirá-la de si mesmo, ou dos outros como retaliação. Um caso a ser citado seria o Massacre do Realengo, ocorrido em sete de abril de 2011; o autor, Wellington Menezes, provavelmente foi vítima de bullying na própria escola onde cometeu o crime. Provavelmente ele já teria tendências psicóticas, mas é possível que a intimidação que sofrera algum tipo de agressão durante sua vida escolar o levou a escolher aquele alvo 2. Lembro de que ele poupou um aluno por ser obeso – e, portanto, provável vítima de zombarias constantes – por tal motivo de agir contra os valentões (embora eu não tenha conseguido encontrar nenhuma sustentação a essa memória, então é possível que eu esteja confundindo com outro caso).

Pelo lado do opressor, é possível que ele continue com este comportamento durante o resto de sua vida. Isso pode fazê-lo perder oportunidades pelo motivo de que suas atitudes sejam reprovadas pelos seus pares. Como consequência, também pode diminuir sua autoestima para níveis críticos. Outra possibilidade seria a manutenção dessa posição agressora, levando o indivíduo a uma vida criminosa, talvez vista como única alternativa, dependendo do grau de sua confiança em executar as tarefas tradicionais (de estudar e arranjar um bom emprego); isso também depende do ambiente e círculo social que conviveu.

Dificilmente tal costume venha a virar algo positivo e construtivo. O bullying consiste em diminuir outras pessoas, o que não ajuda ninguém. Todavia, em alguns momentos, a pressão de receber aprovação possa servir como estímulo para concluir sua tarefa com qualidade e agilidade. Como exemplo, vale citar Steve Jobs, que sempre foi odiado por seus funcionários pela maneira como os tratava, porém eles estavam sempre buscando por sua aceitação e terminaram criando produtos de sucesso.

Considerando estes pontos, digo que o bullyng não é problema até começar a comprometer as pessoas envolvidas (tanto o opressor quanto o oprimido). Enquanto souberem lidar com a situação por conta própria, enquanto ninguém se ferir, pode até ser algo positivo. No entanto, existe sempre a possibilidade de alguém ser magoado e carregar essa aflição pelo resto da vida. Também é possível que o agressor esteja tentando preencher um vazio que deveria ser tratado de outra forma; não basta reprimir as atitudes, tem de se conhecer suas causas. Pra resumir tudo em um conselho: na dúvida, não faça.

Notes:

  1. Bullying. (2013, março 21). Wikipédia, a enciclopédia livre. Obtido 17:35, março 22, 2013 de http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Bullying&oldid=34573436.
  2. Massacre de Realengo. (2013, março 12). Wikipédia, a enciclopédia livre. Obtido 06:47, março 22, 2013 de http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Massacre_de_Realengo&oldid=34406135.

2 thoughts on “Sobre os problemas do Bullying

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