A Falsa Revolução

Há pouco tempo, muito se falava a respeito da revolta dos alunos da USP sobre a atitude da polícia dentro do Campus. Alguns defendiam os alunos, outros eram contra ao que eles fizeram. O que eu digo sobre isso é: ambos os lados estavam errados.

Os alunos lutavam contra a presença da polícia na Cidade Universitária. Eu vi isso e me espantei: como pode ser alguém contra a presença da polícia onde quer que seja? Acontece que toda aquela comoção foi gerada porque policiais encontraram alunos fumando um “baseado” no campus e tomaram uma atitude a respeito (como fariam com qualquer pessoa em qualquer lugar). Esse tipo de droga é ilegal e não se pode fumar mesmo que você esteja na sua casa. Então o que há de errado com a ação tomada? Polícia no campus é privilégio e não opressão.

Outro detalhe digno de nota, é que este caso foi apenas o estopim para a tal “greve dos alunos” (sic). Policiais já fizeram coisas problemáticas como revistar alunos na própria sala de aula (ou pelo menos foi que eu ouvi dizer). Se isso realmente aconteceu, encontramos uma falha grave no sistema que valeria uma revolta. Entretanto, por que os alunos não fizeram a tal “greve” quando esse fato ocorreu? Por que esperaram a polícia autuar um aluno quando ele realmente estava fazendo algo de errado e então se revoltar? Se há opressão é contra isso que devem lutar.

Acontece que os alunos da USP (em especial da FFLCH) adoram um ativismo. Dizem-se politizados e lutam pelos direitos do povo. Eu como ex-aluno da USP posso dizer o que vi.

Penso que, como aluno, meu maior direito é ter aula. Independentemente de todas as falhas do sistema, se eu tiver uma boa aula não há problemas. Se eu tiver de lutar pelos meus outros direitos, não devo fazer isso na escola, visto que a instituição me providencia o que ela deve. Por algum motivo, o pessoal da USP não pensa assim.

Eu já vi alunos (aliás, alunos de outros campi) impedir professores de darem aulas, pois iriam furar a greve. Note que a greve era de professores e que reivindicava direitos para os professores. Por que os alunos iriam se interessar pela greve deles? Não me entendam mal, claro que apóio os funcionários que lutam por suas necessidades, mas, como aluno, o que me importa é ter aula e se o professor, que é o mais interessado, quer dar aula, qual o problema afinal?

Porém, é “bonito” fazer revolução. Já temos eleições diretas, já passamos da fase da ditadura e já tiramos um presidente de seu cargo. Precisam procurar assuntos pra se revoltar.

Vejo passeatas contra a corrupção. De que isso adianta? Nada. Sério, nada. Não resolve caminhar por aí e continuar votando nos mesmo corruptos. Se ainda fossem corruptos diferentes… mas não, são os mesmos. Parece aquelas campanhas contra a pedofilia. Sim, é uma coisa ruim, mas existe alguém que seja a favor? Até os próprios pedófilos (pelo menos alguns deles) devem saber que o que fazem é errado e ter vergonha disso. Ser contra a pedofilia é como ser contra roubos, estupros e assassinatos.

O problema da corrupção (assim como o da atitude dos policiais) é algo que depende de certas mudanças no sistema, sim, mas começa pelo povo nas urnas. Sobre a solução real para isso (digo, sobre como o sistema deve ser) é, talvez, quase uma utopia, mas isso é assunto para algum outro post.

Então, aos engajados de plantão fica a dica: pensem bem contra o que vocês estão protestando e se estão fazendo da forma certa. Daí, sim, teremos chance de ter um país (e um mundo) melhor.

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