Um pedaço de um mundo ao contrário

Às vezes acho bem esquisito viver nesse mundo. Um lugar onde o ruim é apreciado e o bom, ignorado; onde a piada é mais importante que a pessoa; onde aquilo que faz diferença passa despercebido.

Com a evolução da comunicação é fácil perceber que não é apenas uma questão de cultura, já que as coisas são iguais no mundo inteiro. É difícil ver o que acontece sem perder um pouco da “fé na humanidade”. Parece que a estupidez humana realmente não tem limites.

Muitos, por exemplo, acham legal o status de “ter depressão”. É “isso da depressão” e “aquilo da depressão”. Sim, com certeza existem muitas coisas tristes nessa vida, mas depressão é doença e deve ser tratada como tal. Melhor acabar com essas “brincadeiras” logo, antes que todos resolvam achar legal ter esquizofrenia.

Sei que sou chato, mas tudo tem sua hora e lugar. E essas diversões são, de certa forma, as mesmas que se têm quando fazem piadas preconceituosas. Talvez pareça exagero – pode ate ser mesmo – só que fazer piadas sobre judeus parece ofensivo apenas quando não se é judeu. Da mesma forma, fazer piadas sobre depressão é problemático – a menos que você sofra da doença. E, pra completar: depressão não tem graça. Nem um pouco. (Nos meus dias ruins o máximo que digo é “hoje não é um dia bom”; não faço piadas).

Outra coisa que me incomoda às vezes é o “forever alonismo”. Isso é chato quando se é solitário de verdade, o que não acontece com a maioria das pessoas. Estar solteiro não é estar sozinho, entendam. Muito menos “sozinho para sempre”. Disso eu até faço piadas, porém são piadas que evocam mais pena do que risadas. (Eu gosto de pena, é um sentimento muito subestimado, parafraseando a personagem George Costanza).

Enfim, escrevi mais pra desabafar do que pra fazer sentido e nunca me considerei dono da verdade – de fato, já mudei minha opinião sobre várias coisas diversas vezes. Pessoas que acreditam estar sempre certas são as que geralmente estão erradas (por isso não gosto de religiosos, aliás). De qualquer forma, acredito que um pouco mais de empatia faria bem as pessoas e evitar achar que tudo pode ser piada. Uma palavra pode machucar mais do que uma arma. Parece babaquice, mas é isso o que nos torna humanos.

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