Criação de personagem e a classificação MBTI 3

Quando se cria uma personagem, vários fatores devem ser levados em consideração – especialmente nas mais importantes. Um destes pontos seria a personalidade. Seja inata ou formada pela própria biografia da personagem em questão, a questão psicológica de como ela se comporta faz diferença ao se contar uma história – a menos que você de fato queira a inconstância.

Embora não se precise de uma análise psicológica detalhada (também porque nem todo entende de psicologia), entender alguns dos processos dessa ciência ajuda a entender sua personagem e aonde ela te levará na história – e talvez até como ela mudará durante a história. Uma forma simples e prática que eu encontrei é a Classificação Tipológica de Myers Briggs (geralmente abreviado para MBTI pelo termo em inglês).

Este método utiliza-se de quatro dicotomias distintas, baseadas no trabalho de Carl Jung, que indicam características pessoais de forma geral. Apesar de não ser um método cientificamente apurado para testar personalidades, ainda é usado com frequência no RH das empresas para analisar os candidatos de forma prática (o que, por consequência, acaba fazendo com que seja usado para orientação profissional) 1.

Classificação dos tipos MBTI (em inglês).

Classificação dos tipos MBTI (em inglês).

As quatro dicotomias

Esses pares indicam preferências distintas das pessoas – que, nesse caso, se trata de pessoas que você imaginou – e são definidos com base numa análise comportamental. Assim, responder a um pequeno conjunto de questões simples (o que leva poucos minutos, se até mesmo isso) é suficiente para encontrar o tipo MBTI.

Introversão-Extroversão

Este é o eixo das atitudes. Já comentei antes aqui um pouco sobre a introversão (e, de certa forma, seu oposto), então não vou me repetir muito. Os extrovertidos preferem ação, vastidão de conhecimento e contatos frequentes; enquanto introvertidos preferem pensamento, profundidade de conhecimento e contatos substanciais.

Sensação-Intuição

Junto com o eixo razão-sentimento citado abaixo, forma o eixo das funções. Sensoriais preferem informações concretas e fatos, confiando nos dados. Intuitivos são mais teóricos e confiam na própria experiência para interpretar as informações, lidando bem com dados incompletos.

Razão-Sentimento

Enquanto a dicotomia S-I diz como o indivíduo interpreta as informações, o eixo R-S trata de como a pessoa toma as decisões. Sentimentais se baseiam, naturalmente, nos próprios sentimentos (vale notar que são diferentes das emoções) para decidir algo. Já os racionais utilizam argumentos lógicos.

Julgamento-Percepção

Este eixo trata do estilo de vida do sujeito. Julgadores preferem as rotinas, enquanto perceptivos gostam mais de surpresas.

Classificação

Estes quatro pares definem dezesseis possíveis tipos, descritos com grupos de quatro letras baseados nos termos em inglês. Enquanto um indivíduo pode ser ISTJ (Introversion, Sensing, Thinking, Judging) outro pode ser ENFP (Extroversion, iNtuition, Feeling, Perception). E qualquer outra combinação intermediária também é possível. Isso facilita a criação de uma ficha de personagem, na qual você pode citar em um campo pequeno o comportamento geral da sua personagem com apenas quatro letras.

Outra coisa, ainda sobre o assunto, é a Classificação de Temperamento de Keirsey 2. Ele mapeou as dezesseis possibilidades do MBTI e alguns temperamentos específicos, o que pode ajudar a fazer um caminho reverso: selecionar o tipo MBTI para definir como sua personagem irá se comportar. Os tipos podem ser vistos na tabela a seguir (os links são para a Wikipédia em inglês, visto que não existem muitos dados em português):

Temperamento

Papel

Variação do Papel

Concreto
ou
Abstrato?

Cooperativo
ou
Utilitário?

Informativo
ou
Direto?

Expressivo
ou
Atencioso?

Observante
(S)

Guardião (SJ)
Logístico

Conservador (SFJ)
Suportar

Provedor (ESFJ): Suprimento

Protetor (ISFJ): Segurança

Administrator (STJ)
Regular

Supervisor (ESTJ): Imposição

Inspetor (ISTJ): Certificação

Artesão (SP)
Tático

Artista (SFP)
Improvisar

Executante (ESFP): Demonstração

Compositor (ISFP): Sintetização

Operador (STP)
Diligenciar

Promovedor (ESTP): Persuasão

Artesão (ISTP): Instrumentação

Introspectivo
(N)

Idealista (NF)
Diplomático

Advogado (NFP)
Desenvolver

Campeão (ENFP): Motivação

Curandeiro (INFP): Conciliação

Mentor (NFJ)
Desenvolver

Professor (ENFJ): Educação

Conselheiro (INFJ): Orientação

Racional (NT)
Estratégico

Engenheiro (NTP)
Construir

Inventor (ENTP): Concepção

Arquiteto (INTP): Projeto

Coordenador (NTJ)
Organizar

General (ENTJ): Mobilização

Idealizador (INTJ): Implicação

Este é meu novo método para descrever comportamento das minhas personagens, então achei interessante divulgar – talvez alguém e interesse pelo mesmo motivo. (Por acaso, eu me identifico como ISTP, embora, em um dos testes online que fiz, recebi um INTP como resultado).

Notes:

  1. Classificação tipológica de Myers Briggs. (2013, março 28). Wikipédia, a enciclopédia livre. Obtido 23:41, abril 11, 2013 de http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Classifica%C3%A7%C3%A3o_tipol%C3%B3gica_de_Myers_Briggs&oldid=34982399.
  2. Keirsey Temperament Sorter. (2013, março 25). Wikipedia, The Free Encyclopedia. Obtido 23:42, Abril 11, 2013, de http://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Keirsey_Temperament_Sorter&oldid=546933912.

3 thoughts on “Criação de personagem e a classificação MBTI

  1. Reply Davi Queiroz ago 3,2014 11:00

    Opa, gostei do artigo. Só queria postar algumas correções:

    1- No gráfico em inglês, está escrito ESFP = Composer e ISFP = Performer. Na verdade é o contrário (talvez seja possível mudar isso no Corel, mas, se não der, não tem problema).
    2- Na classificação dos tipos, você colocou tanto os tipos NFP quanto os NFJ com a atitude de “desenvolver”. Eu mudaria a atitude dos tipos NFP para “atuar”.

    Espero ter ajudado. A propósito, sou INFJ. 🙂

  2. Reply Alexandre Kassis ago 6,2015 20:13

    “Apesar de não ser um método cientificamente apurado para testar personalidades…” Comentário: O MBTI não é um “teste” pois teste remete à ideia de certo ou errado e determinismo classificatório. O MBTI é um instrumento de investigação sobre as preferências de cada indivíduo que são “classificados” em 16 Tipos Psicológicos, sem determinismo, e que não pode ser utilizado para seleção ou discriminação, pois não é teste qualitativo. O instrumento MBTI é cientificamente testado, validado e atualizado com base em dados estatísticos e científicos e é um dos instrumentos mais utilizados em todo o mundo há décadas. Salvo esses esclarecimentos necessários, bem interessante o seu post George Marques e acho realmente válido usar os tipos psicológicos no campo da escrita literária, para reflexões e inspirações nas construções de personagens etc. Abraço. Alexandre Kassis ( Qualificado em MBTI pela Fillipelli)

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